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Foi um desses encontros de não saber explicar... poderia tentar, com alguma empolgação, dizer que a cidade estava inspirada e fez com que o esbarrão fosse tão intenso... poderia tentar dizer também que já passaram outras vezes um pelo outro, sem se observarem.... cada um na sua direção e na sua velocidade... o pensamento na cadência do compasso dos últimos acontecimentos da vida de cada um... e sequer haviam cruzado o olhar... feito um pedido no mesmo momento num bar qualquer... e nunca, nem um olhar de lado, desatento, despretensioso, desinteressante.... nada.... nem uma vez sequer... ou na bagunça de um shopping... ou na porta do cinema... ou numa livraria... nunca antes... nem em pensamento... até que houve o esbarrão... e tempos depois já brincavam de conversar... talvez empolgados com a possibilidade de quem sabe... dessa vez... agarrados ao acaso... quem sabe... dessa vez, porque todo mundo precisa desta oportunidade e também eu... talvez pensassem juntos... embora sem dizer uma palavra.... perceberam que as frases feitas não incomodavam... os pensamentos rasos não atrapalhavam... a euforia contagiava... e surpreendiam-se com as afinidades... que até mesmo o discordar... a leve sensação de que talvez não fossem tão... tão... compatíveis... ou então desiguais... ou até mesmo inexatos... tudo isso os despertava e os ensurdecia.... caminhavam afunilados... e ousaram esperar o tempo certo... souberam estabelecer um tempo de espera até ao inevitável.... não rasgaram as roupas... não se atracaram no banheiro do bar... não se embebedaram para justificar as atitudes.... com muita calma e com todo o cuidado... embora urgentes... souberam esperar o momento certo... quando finalmente se deitaram... os copos de whisky sendo esvaziados... e música... apenas para ouvir... somente para curtir... como que complementando a cenografia... a luz agradável... mais escuro do que claro... porém os olhos conseguiam brilhar... e se compreender nos momentos de se enfrentar... mas sem duelar... apenas sugerir... convidar... exercitar.... Não sei onde eu quero chegar... talvez não chegue... talvez o barco não cruze a travessia e se mantenha de acordo com as ondas... sem um destino selado... se aproximando de qualquer ilha mas sem tocar a terra... sem deixar de balançar... sem naufragar... ou sem ser náufrago....
Escrito por L.C.
às 23h23 |