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Há tempos eu já não te vejo apenas como um amigo... amigo sim...mas não apenas isso... de repente, posso querer apenas deitar no teu colo esperando um carinho de homem.... em busca delicadezas... no fundo eu adoro esse carinho que não precisa culminar em saliva e lençóis... mas que é íntimo... o carinho que não anuncia a chegada de uma nova estação... o carinho que não denuncia nada além do querer bem... o jeito cuidadoso de tocar o outro como quem descobre o que vai adiante... as mãos que buscam desvendar os fios de cabelo... o cheiro do outro que muda ao toque mínimo que altera a respiração, os batimentos, a temperatura... quando o quase é fato... e eu acho que gosto desse quase... que é onde avançamos juntos rumo ao bom senso da convivência... seus signos e obrigações... e esbarramos no limite do que seria uma intimidade maior... um comprometimento de intenções... uma noção real de que rompemos o véu... mas não extrapolamos... estamos sempre no terreno do quase... onde as mãos se fizeram carinho... e as cabeças encostaram-se ao ombro... e permitiram-se o toque íntimo de quem quer apenas um abraço... e arrisca um abraço e o toque acontece naturalmente... a geografia do teu corpo ensaiada na palma das minhas mãos... o perfume que se mistura... a pele... e eu coleciono detalhes... sou fã de carteirinha do que pode existir entre duas histórias... do momento presenciado.... vivido... do agora... Escrito por L.C.
às 21h30 |
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Agora há pouco me peguei pensando na facilidade e na dificuldade de chegar ao outro... é impressionante como em alguns dias, sem foco, torna-se difícil o acesso, as senhas não são lidas... mesmo havendo intimidade, histórias em comum, o bem querer e afinidades... existem sempre os dias em que os olhos não se olham... as palavras se confundem... e o que parecia ponte segura, num piscar de olhos, transformou-se... e não é o mundo que ficou estranho de repente.... talvez seja o outro... por que a ilusão nossa de cada dia engana o coração... e equilibra a razão... nos fazendo acreditar que o território é o mesmo... porque existe em comum a amizade e os cuidados... mas nem sempre acontece dessa maneira... cada um é território estrangeiro ao outro... terras a serem exploradas... tanto em comum... e tanto para ser descoberto. ...
Noite dessas eu perdi o sono... uma noite não dormida em que eu tinha tanto pra te dizer... mas calei.... e nem sei o motivo.... eu te diria da beleza da vida... e de como me fascina estar tão perto ou tão longe.... e falaria também dos detalhes importantes que eu valorizo... esses pequenos instantes eternos que compartilhamos... fiquei em silêncio... e estou em silêncio porque me falta compreender ainda um montão de coisas... vivo dias de facilidade... eu compreendo teus olhos... vivo dias de dificuldade... você não consegue compreender os meus....e vice-versa.... e esse é todo o encanto da vida.... descobrir... compreender... e jamais conseguir descobrir... e nunca conseguir entender...
Escrito por L.C.
às 23h15 |
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O que dizer sobre nós?... então diga, sem que seja tudo teoria.... diga, nem que seja toda a teoria... e aí eu admito que você me surpreende sempre... com sua delicadeza, inteligência, cultura, carinho.... porém, tudo isso me causa a sensação de já ter passado por essa mesma estrada... por esse mesmo trecho de onde já é possível enxergar a curva e até os prováveis desastres... mesmo que o óbvio e a surpresa me encantem... É noite agora... e sinto saudade de um você que eu provavelmente inventei... que existe somente quando nos encontramos... teu sorriso, teu cheiro, tua atenção.... é engraçado, às vezes ensaio tantos discursos tão verdadeiros... ao mesmo tempo em que me parecem enjoadamente falsos.... canalizo tantos desejos que mais fácil seria procurar uma cartomante... mas, não penso em foco.... não é simples o desejo.... é delicado... é como ter um acalanto, um refúgio, um mar dentro dos nossos olhos, uma tempestade na aproximação e uma calmaria em nossos corações... trazer e levar uma comunhão incessante de segredos e desafetos que permearam nossos passados... e, a partir deles, costurar um tempo maduro o suficiente para ser mais do que um dia fomos.... Talvez não seja o momento certo e me parece mais improvável ainda, que sejam as circunstâncias... mas, nunca duvide da capacidade que você tem de me causar poesia... e não duvide da minha capacidade de te despertar poesia... tenha apenas o cuidado quando o real atravessar a corrente das nossas palavras... que seja assim o mergulho... que se cumpra o louco desejo de continuarmos a viver simplesmente... da forma que se imagina... da forma que se merece... passeando por caminhos e estradas de outros mundos... nos quais o amor nos conduza com extravasada vontade... e rara delicadeza....
Escrito por L.C.
às 22h43 |
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Foi você em quem eu pensei ao ouvir as músicas... tive vontade de te ligar... falar das coisas que senti... de algumas lágrimas emocionadas que rolaram no travesseiro.... de como fica fácil compreender porque algumas atitudes a gente só opta quando o coração ama alguém... mesmo que ame por um momento, um sorriso, um fragmento.... levantei da cama com o pensamento na tua direção... sem saber muito bem o que dizer... eu sabia que era para você que eu deveria me dirigir... porque cada um sabe as suas direções... e é para lá que a gente corre quando o coração aperta em alegria... ou dor...
O tempo do amor pode durar toda uma vida... mesmo após os caminhos seguirem em distintas direções... e é aí que você novamente retorna aos meus pensamentos, porque na nossa história somos completamente independentes, em enredo e cadência... e, apesar disso, o meu “eu te amo” entalou quando a música terminou... e era em você que eu pensava... e pensava sem dor... pensava feliz... porque é lindo que eu te ame da minha forma particular e natural... mas que eu te ame e queira te dizer desse amor... os dias embruteceram... de uma certa forma, boa parte das pessoas também... é por isso que valorizo essa poderosa sensação que me foi despertada pela música.... porque ela move o meu querer... coloca em movimento o amor... consciente dos riscos, das feridas, da beleza, da paixão viva, da carne exposta... eu estou em movimento e você está em movimento... vivendo a tua história que é só tua... os caminhos que você percorreu até aqui... existe o tempo do amor, eu dizia... Me permita, só hoje, que te diga “eu te amo”... que eu te abrace porque tenho vontade disso... que beije o teu rosto porque senti carinho... que ouça as histórias porque somos, fundamentalmente, atenção e cuidados... ou, que fiquemos em silêncio quando a necessidade se fizer presente... eu preciso te dizer tudo isso... a escrita parece que não cabe nos dedos.... estou cheia silêncios e sentimentos.... mas isso só entende quem ama... quem aceita o risco... quem se embriaga de vida... Escrito por L.C.
às 01h07 |