Mulher, mais de 40, mãe de dois adolescentes, em constante conflito e mutação... uma fazedora de sonhos... uma colecionadora de memórias... Frase que me define hoje: "Justamente quando a lagarta pensou que tudo houvesse terminado... ela virou uma borboleta"


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Sinceridade e Transparência

O primeiro encontro, entre duas pessoas parece, de certa forma, a uma peça de teatro... nos preocupamos em causar uma boa impressão... temos muito cuidado ao falar... ao gesticular... estudamos cada uma das nossas atitudes... como se nos “editássemos”  e tentássemos mostrar apenas o nosso lado mais bacana... tentamos passar uma imagem capaz de despertar uma curiosidade que garanta um segundo encontro...

 

Quando entramos no assunto “antigas relações”  aí é que nos superamos... inventamos uma desculpa interior aos nossos próprios fracassos anteriores e pior, acreditamos piamente nisso....inventamos desculpas vazias e justificativas... por fim, e até sem percebermos... deixamos a sinceridade guardada na gaveta... é provável que isso se dê devido ao nosso medo de expor fraquezas... de mostrar o quanto somos carentes... de como somos normais... e essa nossa preocupação em “passar uma boa impressão”, talvez, surta o efeito contrário, acaba por assustar a outra pessoa... até porque bancando a “pessoa perfeita” o outro não encontra identificação alguma conosco...

                       
Seria mais interessante se, ao invés de simplesmente nos apresentarmos... contássemos apenas as nossas verdades... sobre nós mesmos... nossos gostos... nossas dores... nossos amores... se ao invés de falarmos “gosto de MPB...  de cozinhar... de ler o autor Fulano...  faço um delicioso estrogonoff”... disséssemos “sou chorona... teimosa... emocionalmente instável... faço terapia há anos, mas ainda não me encontrei”... se mostrássemos a profundidade da nossa alma... e não apenas a superfície aparente... essa é mais uma das minhas teorias malucas... mas não acho, de verdade, que a reação fosse de fato negativa... expor nossa própria fragilidade cria uma aura de cumplicidade... e o outro se identificaria, até por já ter percorrido os mesmos caminhos... sofrido as mesmas dores... e  sabe que, na vida real,  os finais nem sempre são aqueles dos contos de fadas...

 

Escancarar nossa verdade envia à outra pessoa um recado inconsciente de esperança...  de consciência das próprias limitações... e faz com que ele lembre o que aprendeu com os erros passados... e que não deseja repetir mais com uma outra pessoa, como talvez seja essa à sua frente... o passado é bacana  justamente por isso...  por mais que tenha nos trazido amargura, cicatrizes e mágoas... trouxe também experiência na mesma proporção... apurou o senso de direção e escolha das pessoas certas... ligou aquele radar que logo identifica, e afasta,  futuras  relações que sabemos estarem fadadas ao insucesso...


Mas será que a transparência completa é a melhor maneira, então?... não sei... mas me parece a mais correta... é provável que traga algum aborrecimento ao encontrar, eventualmente, algum descrédito e afugentará os mais desavisados.... mas, na minha opinião, ficamos melhores sem pessoas que só querem os rótulos estabelecidos... os jogos de cartas marcadas... a futilidade e a superficialidade... o relacionamento aparentemente perfeito, que logo se esvai,  com as primeiras dificuldades... isso não significa deixar de lado o amor-próprio... ou não mostrar as virtudes... mas deixa-las virem à tona à medida que a relação se estabelece... convivendo... revelando-se... desnudando-se....

 

Uma relação com uma pessoa especial exige entrega desde a primeira troca de olhar... exige cumplicidade e confiança... e não apenas a entrega de paixão...de amor... afinal, sabemos que amar é fácil... apaixonar-se é quase banal... a entrega das nossas fragilidades é que requer uma boa dose de  coragem e esperança...

 



Escrito por L.C. às 21h10
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Mulheres à Beira De Um Ataque De Nervos

De volta a solteirice... depois de algum tempo resolvi... justamente num sábado à noite... sair com mais 3 amigas... um bar caribenho... lugar baladado... confesso que minha primeira opção era o meu bar preferido... mais tranqüilo... onde os garçons me conhecem pelo nome... mas a maioria venceu... e lá fomos nós ao tal lugar...

 

A boa (?) notícia logo na porta ... até as 23 horas as mulheres entravam sem pagar... oba! saímos no lucro... se não for legal, ao menos não tomamos prejuízo... sentamos no balcão... a casa ainda vazia... o ambiente bacana... as músicas impediam meus pés de ficarem parados... a primeira dose whisky na mão... e de repente a casa foi enchendo... de mulheres!

 

Quando me dei conta... a população daquela sala era composta 80% de mulheres sozinhas... 15% de mulheres acompanhadas por homens... e 5% de homens sozinhos... esses com idades variando dos 18 aos 25 anos... de jeans surrados e bonés (argh!)...

 

Já tomando a minha segunda dose de whisky comecei a observar o comportamento das pessoas...  sentada no canto do balcão eu tinha uma visão privilegiada de todo o bar... as mulheres pareciam desesperadas... a cada vez que a porta se abria e via-se adentrar ao recinto uma figura masculina... pareciam uma arquibancada em dia de jogo... quando o artilheiro do time estava prestes a fazer um gol... na seqüência entrava a acompanhante... invariavelmente de mãos dadas com ele... e o que se ouvia era um silêncio comparável ao gol perdido...  e isso se repetia a cada vez que a porta se abria... quando quem entrava era um homem... parecia que o coitado estava entrando na arena dos leões... mulheres maduras... impecavelmente arrumadas... e absolutamente ansiosas por encontrar uma companhia.... a qualquer preço... e pior, sem qualquer “controle de qualidade”...

 

Bom... eu não consegui ficar ali muito mais que uma hora... achava aquilo tudo deprimente... não era minha praia... definitivamente esse não é o meu comportamento... acho que eu ainda tenho um pé à moda antiga... tomo sim a iniciativa... mas não dessa maneira desesperada... gosto do flerte... das trocas de olhares... da troca de sorrisos... de uma abordagem educada e delicada...

 

Mulheres à beira de um ataque de nervos? prefiro as de Almodóvar...



Escrito por L.C. às 12h29
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Dar Não é Fazer Amor

Dar é dar.

Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido, mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca, te chama de nomes que eu não escreveria, não te vira com delicadeza, não sente vergonha de ritmos animais.

Dar é bom.

Melhor do que dar, só dar por dar.

Dar sem querer casar, sem querer apresentar pra mãe, sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.

Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral, te amolece o gingado, te molha o instinto.
Dar porque a vida de uma publicitária em começo de carreira é estressante, e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.

Durante um mês.            

Para as mais desavisadas, talvez anos.

Mas dar é dar demais e ficar vazia.

Dar é não ganhar.

É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.

É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: "Que cê acha amor?".

Dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.

Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor, esse sim é o maior tesão.

Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua.

Se você for chata, suas amigas perdoam.

Se você for brava, suas amigas perdoam.

Até se você for magra, as suas amigas perdoam.

Mas... experimente ser amada."

 

(Luis Fernando Veríssimo)

 



Escrito por L.C. às 00h12
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Um Lugar Especial

Há alguns lugares que temos como preferidos... ruas... cidades... países... bares... praças... enfim, lugares que marcaram nossa história... não necessariamente pela beleza ou pela arquitetura...

 

Muitas vezes voltamos ao passado... nem que seja em pensamento... é quando a lembrança desses lugares vem com mais força... é bom relembrar onde fomos inocentes... onde fomos felizes... onde demos o primeiro beijo... onde choramos sozinhos, escondidos do resto do mundo... esses lugares são especiais pelas memórias a eles associadas... e por essa razão tornam-se únicos e inesquecíveis...  é bom podermos recordar as pessoas e os sentimentos... as conversas... os conselhos... as declarações de amor... “aquele” olhar que nos fez tremer...  e assim conseguimos atravessar o portal do tempo... e percebemos porque guardamos a melhor e mais pura das memórias...

 

Existe no universo um lugar especial para cada um de nós... um lugar que é só nosso e onde podemos sentir toda a nossa felicidade... atualmente tenho um lugar especial... meu preferido... e onde eu tenho ficado mais feliz... ele fica exatamente no espaço entre o ombro e o queixo dele...

 



Escrito por L.C. às 20h23
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Dinner For Two

Estava feliz... controlava a ansiedade... as mãos estavam frias... ela era toda expectativa...

 

Tratou de arrumar a casa... comprou flores... abriu as janelas... assim arejaria a sala e os seus próprios porões... defronte ao roupeiro aberto a difícil escolha de um jogo de lençóis... a cama precisava estar impecável... verificou os travesseiros... preparou a trilha sonora com o som na cabeceira... trocou a lâmpada queimada do abat-jour... voltou para a cozinha... olhou as coisas que comprara para o jantar... cantarolava enquanto cortava as cebolas... nem estas a fariam chorar hoje... mexia a panela com o creme de funghi... olhou a carne no forno... decorou a salada... não iria fritar batatas... soutée eram mais adequadas... verificou o vinho... o vendedor havia recomendado aquele Malbec... safra especial de acordo com ele... foi confirmar se a quantidade de gelo era suficiente para um whisky antes do jantar... cortou os pequenos cubos de queijo... e pensava... lembrava... sonhava... e os ponteiros do relógio pareciam instáveis... ou corriam demais... ou pareciam irreversivelmente lentos... deixou tudo impecavelmente ajeitado... não queria perder tempo com os detalhes quando ele chegasse... mesa posta... toalha de linho... as taças de cristal... tudo parecia perfeito...

 

Agora era a vez de cuidar de si própria... um banho revigorante... bem demorado... deixava a água quente percorrer cada parte do seu corpo... pensando que em algumas horas a água seria muitíssimo bem substituída... sentiu-se corar ao pensar nisso... riu sozinha... saiu do banho... olhou-se no espelho... arrumou os cabelos... maquiou-se levemente... não queria estar com “cara de festa”... embora para ela era exatamente o que aquela noite significava... escolheu a lingerie com cuidado... nada muito over... o vestido preto era perfeito... o sapato alto também... afinal a ocasião era especial... os brincos de argolas completavam a produção... voltou ao espelho... e deu uma piscada a si mesma... voltou a sorrir... enquanto o coração estava aos pulos...

 

Sentou-se na sala... ligou a TV... desligou... ligou o som... voltou a olhar a mesa... as taças pareciam desalinhadas... ajeitou novamente uma gérbera que insistia em querer sair do lugar... e esperou... esperou... esperou...

 

Dormiu sozinha....

 



Escrito por L.C. às 14h40
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