Mulher, mais de 40, mãe de dois adolescentes, em constante conflito e mutação... uma fazedora de sonhos... uma colecionadora de memórias... Frase que me define hoje: "Justamente quando a lagarta pensou que tudo houvesse terminado... ela virou uma borboleta"


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Uma Música...

Sou louca por música... e não tenho nenhum tipo de preconceito... basta que me toque a alma... que me emocione... não preciso nem entender a letra... muitas vezes, apenas a melodia é suficiente para me embalar... e me fazer sonhar...eu diria que vinha vida tem uma trilha sonora bastante eclética... músicas me devolvem momentos perdidos no tempo... pessoas especiais... e as nem tão especiais assim... mas acabam funcionando sempre como uma espécie de viagem através do tempo...

No dia-a-dia... enquanto trabalho... o rádio costuma ficar sintonizado numa estação de MPB... música de boa qualidade... atemporais... há alguns dias ouvi uma música... uma cantora nova... de voz muito doce... quando prestei atenção na letra me emocionei... deve ser porque eu adoraria ter escrito esses versos

 
Lugares Proibidos
Helena Elis
 
Eu gosto do claro quando é claro que você me ama
Eu gosto do escuro no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby, com você já, já
Mande um buquê de rosas, rosa ou salmão
Versos e beijos e o seu nome no cartão
Me leve café na cama amanhã
Eu finjo que não esperava
Gosto de fazer amor fora de hora
Lugares proibidos com você na estrada
Adoro surpresas sem data
Chega mais cedo amor
Eu finjo que não esperava
Eu gosto da falta quando falta mais juízo em nós
E de telefone, se do outro lado é a sua voz
Adoro a pressa quando sinto sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby com você chegando já

 

 



Escrito por L.C. às 00h27
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    Planeta Regente: Plutão

 

Elemento: Água

    Qualidade: Fixa

 

Polaridade: Negativo

“Minha pedra é ametista... minha cor, o amarelo... mas sou sincero...” e assim a música de João Bosco, há pouco no rádio, me lembra que não havia ainda lido meu horóscopo hoje...

Sou escorpionina... daquelas legítimas, autênticas e orgulhosas por pertencerem a esse signo do zodíaco... “Não se deixe levar pelo preconceito. Se você cruzar com um tipo honesto, corajoso, íntegro, intenso, magnético, profundo, reservado, perspicaz, enigmático e fiel até que a morte os separe, corra e agarre esta oportunidade, porque você terá topado com um escorpião. Seu astrólogo diz que os escorpiões são traiçoeiros? Mude de astrólogo, porque o escorpião tem um senso de lealdade só comparável ao de um mafioso siciliano - se você mantiver sua palavra, ele manterá a dele até debaixo de uma saraivada de balas. Seus amigos dizem que os escorpiões são galinhas incuráveis? Troque de amigos, porque o escorpião, embora tremendamente ligado ao sexo, é tão seletivo que prefere uma vida monástica a transar com qualquer um. Você andou lendo que o escorpião é um dissimulado? Largue esse livro pelo último de Agatha Christie, pois a notória reserva escorpionina não tem nada a ver com hipocrisia.”

Ler o horóscopo diário é um ritual... em tempos de internet então... preciso ir na seqüência...  Primeira parada: UOL... “Vênus e Marte em ótimo aspecto sinalizam acordo possível entre você e sócios, parceiros de vida e trabalho, também amores e amantes. Dia flui com boa vontade de ambas as partes! Aspecto entre Vênus e Plutão, no entanto, desfavorece cuidar de assuntos relativos a finanças. Mercúrio anuncia enganos, reveja.” ...  Escala 1: Estrela-Guia... “Seu mundo interior está exposto ao mundo exterior hoje. Isto pode causar conflitos e constrangimentos, na medida em que você não vai fazer força para esconder o que sente. Sua individualidade pode estar ameaçada. Ninguém é mais importante que você mesma/o, seus sonhos e ideais Seus pensamentos estão vagando demais hoje, procure sentir o chão embaixo dos seus pés o dia todo e não perca a realidade de vista. Mire-se no espelho de sua alma e procure viver de acordo com a direção que ela lhe indicar..”... Escala 2: AstroDienst que é bárbaro e personalizado... A melhor maneira de relacionar-se bem com as pessoas agora é trazê-las para seu ambiente íntimo. Há uma grande necessidade de sentir-se no seu terreiro. Esse trânsito é bom para ficar só, meditar e decidir sobre seus sentimentos a respeito de muitas coisas. Ser-lhe-á difícil escapar de seus próprios sentimentos, haja vista que eles estarão influenciando bastante sua percepção.” ... Chegada: Terra...o meu preferido e mais bem humorado...  Temperaturas variáveis, chuva e sol, isso mais aquilo não são motivos suficientemente fortes pra se entocar em seus subterrâneos... Vamos, ponha a energia vital a circular pelas veias! A adrenalina e aquele friozinho no estômago ao encontrar o ser amado, por exemplo, valem o esforço. Pitangas choradas não servem nem pra fazer geléia. Arriba, escorpiano!”

Em resumo... tudo vai estar bem... até porque, apesar dos pesares, sempre está... a grana continua curta... o trabalho é o de sempre... o amor está completamente enrolado... mas sigo lendo diariamente o que os astros tem a dizer... no fundo acaba sempre dando um certo ânimo... já que quase sempre o final, escrito nas estrelas, é feliz!



Escrito por L.C. às 12h21
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Metamorfose

Um dia ela acordou resolvida a terminar com tudo aquilo... com aquela vida que já não mais merecia ter esse nome... afinal, já não vivia... no máximo o que ela se permitia era sobreviver... acordando antes do sol nascer... organizando a rotina da casa... e ainda conseguia buscar, no fundo das entranhas alguma disposição para se arrumar... era coquette.. era inadmissível encarar a rua com o cabelo desalinhado... o velho camisolão de flanela... descalça... e, ainda por cima, de cara lavada... aquele roteiro não pertencia a ela... sentia-se uma personagem errada... num filme equivocado...

 

Já não era mais a jovenzinha admirada pela beleza... os anos haviam roubado todo o seu frescor... e as rugas, se ainda não esculpiam seu rosto com imensos sulcos, começavam a querer vincá-lo ao redor dos olhos... o corpo já não era mais o de adolescente... ganhara peso... e marcas do tempo... mas as maiores cicatrizes ninguém via... os profundos ferimentos estavam escondidos dentro da alma...

 

Naquele dia, terminou de se arrumar... apenas jeans, camisa, um par de tênis, rabo de cavalo... olhou novamente a maleta onde havia apenas o necessário... já que os supérfluos apenas atrapalhariam... abriu a porta do quarto sem fazer barulho... entrou quase sorrateiramente... um beijo suave... o último... ato contínuo, fechou a porta...

 

O dia já estava claro... o sol prometia esquentar aquela manhã ainda fria... olhou novamente o bilhete... não conteve uma lágrima teimosa... deu uma longa olhada na sala... nos móveis tão decadentes como a sua história... olhou a passagem que segurava... pegou a maleta... fechou a porta atrás de si... e deixou a vida para trás... o tempo ainda não havia roubado seus sonhos... e foi em busca deles que ela lançou-se num novo começo...  já não era mais crisálida.... a borboleta precisava voar...



Escrito por L.C. às 16h38
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Amor e Felicidade

Minhas opiniões mudaram ao longo dos anos...   houve um período em que eu acreditava que o amor passional por uma única pessoa seria a solução para todos os problemas da vida, da humanidade, do planeta, do Cosmo... mas agora consigo ter uma nova percepção do amor... o amor como um sentimento bem maior do que a louca paixão... o amor que reconhece a trajetória, a "balística" do outro.... o amor que não permite a frase de Sartre que na adolescência já me irritava: "l'enfer c'est l'autre"... o amor-companhia e companheiro... o amor cúmplice... o amor de parceria... sem fogos de artifício... o amor onde o tesão é apenas consequência e jamais a causa.... será que é mesmo possível?
 
Segue um texto da Danuza Leão... "Amor e Felicidade"

Ela sempre foi uma mulher daquelas: bonita, alegre, divertida, sem cuja presença a festa nunca era tão animada. Sempre teve os homens que quis (e alguns que nem quis tanto assim), mas eis que um dia se apaixonou pra valer.

Se apaixonou e mudou. Começou a se vestir diferente: roupas menos ousadas, pernas mais cobertas, decotes mais pudicos, palavras mais escolhidas. As três vodcas com gelo que contribuíam para fazer dela aquela pessoa tão engraçada e tão solta foram trocadas por um cálice de vinho do porto -um só. Passou a conviver mais com outro tipo de mulheres, aquelas que tinham um homem fixo -que fosse namorado, caso ou marido-, e nunca mais disse nada que provocasse uma gargalhada no grupo. Nem ela mesma gargalhava mais como antes; não contente, ficou ciumenta. Ciumenta, controladora e, consequentemente, chata.


Quando ele olhava para o lado, ela acompanhava com os olhos para saber para que -ou quem- ele estava olhando; se fosse uma mulher bonita, fazia tromba e, na ida para casa, uma cena. Telefonava várias vezes para o escritório, e quando o celular estava desligado submetia o coitado a um interrogatório. No princípio ele ria de seus ciúmes, mas, com o tempo, foi achando menos graça.


Passou a podar os amigos solteiros e sobretudo as amigas companheiras dos tempos de loucura. Ele não percebeu logo -homens são distraídos-, mas pouco a pouco os programas foram mudando: passaram a ser um jantarzinho a quatro, uma reuniãozinha a oito, sempre com pessoas escolhidas a dedo, isto é, que não representassem nenhum risco. Aquela mulher que topava tudo, que às 2h da manhã estava pronta para a saideira em qualquer lugar barra-pesada, só de farra, mudou. Mudou e ficou insuportável, como muitas mulheres muito apaixonadas costumam ficar. Um dia ele não aguentou, e o romance acabou.


Ela sofreu, e como. Fez tudo para voltar: mudou o cabelo, simulou encontros casuais, telefonava de madrugada para saber se ele estava, continuou amiga dos amigos dele, mas não adiantou. Procurou a antiga companheira de todas as horas -e de todas as loucuras- para poder chorar, e chorou. Chorou muito e, seguindo seus sábios conselhos, resolveu partir para qualquer outra, apaixonada ou não.


Voltou a sair com a turma de antes e, aos poucos, foi se dando o direito de voltar a dizer bobagens e a fazer as pessoas rirem, e conseguiu até rir dela mesma. O tempo passou e um dia apareceu um homem; começaram a sair, e quando viu, ele estava apaixonado e a história se repetiu. Só que, dessa vez, foi ele quem mudou.

Aquele homem sedutor, que adorava quando ela se punha toda linda para irem dançar, se transformou. No lugar de saírem com os amigos divertidos e engraçados, passaram a conviver com o irmão dele e a cunhada, que não tinham nada a ver. E começou de novo o filme do ciúme e do controle, só que ao contrário.

Ela adorava se apaixonar, mas nunca dava certo; quando gostava muito -e ela não era de gostar pouco-, se angustiava, nas noites em que não se viam fazia fantasias, achava que o namorado do momento estava com outra e não ia aparecer nunca mais. Mas desta vez o ciumento e controlador era ele; as coisas foram ficando difíceis e ela foi embora pensando que gostar era uma coisa, ser feliz, outra.

E passou a fugir do amor.



Escrito por L.C. às 10h47
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Brinquedos

“A diferença entre os homens e os meninos é apenas o preço dos brinquedos”... foi com essa frase na cabeça que comecei a escrever esse post... tem a ver com o momento presente... com o novo brinquedo que meu amigo mais querido acabou de comprar... mas  cabeça foi mais longe...

 

A gente cresce e continua criança. "Em todo homem há uma criança que deseja brincar..." ... Nietzsche disse isso há muito tempo... e não deixava de ter razão...todos temos o nosso saco de brinquedos... guardado no fundo de algum quarto vazio... em qualquer lugar escondido da nossa alma...  e quando finalmente resolvemos falar, é quando despejamos o saco... todinho... fazendo aquela bagunça...

 

É provável que o nosso saco de brinquedos tenha uma importância fundamental quando o amor está em jogo.... e só então percebemos que a paixão acontece quando, finalmente, nos assumimos fascinados por uma imagem qualquer... pode ser um olhar... um sorriso... um jeito de falar... de mexer no cabelo... e então imaginamos que dentro daquele corpo estão guardados os brinquedos com que gostaríamos de brincar.... é na imagem da pessoa amada que imaginamos os brinquedos que julgamos guardados dentro dela...

 

No entanto, não demora para percebermos que a imagem apenas logo fica monótona... já que ninguém consegue ficar o tempo todo contemplando a pessoa amada... por mais bonita e desejável que possa parecer... sacamos, de pronto, que o que alimenta a nossa paixão não é apenas imagem... mas os brinquedos que ela guarda...

 

Mas chega um momento qualquer em que nos cansamos de apenas dar as mãos... nos cansamos de olhar... é possível que até nos cansemos de beijar...e aí só nos resta propor: "Vamos brincar?" nessa hora o legal é abrirmos o saco... é chegada a boa e velha hora da verdade... quando então, com os brinquedos todos espalhados pelo chão... descobrimos que não eram os brinquedos que imaginávamos... a memória nos traiu... e o saco nem era tão lindo assim lindo! sentimo-nos enganados...

 

Nesse momento... finalmente percebemos que a maturidade chegou... que uma relação amorosa para ser duradoura...  tem de ser uma relação de brincar.... e que ela durará apenas enquanto soubermos entrar na brincadeira....

 

É talvez seja mesmo assim... agora é brincar de viver... brincar de amar...

 

Ah... o brinquedo do meu amigo querido? é esse da foto... não é o máximo?



Escrito por L.C. às 20h54
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