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“Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender.
Primeiro tirou a máscara: "Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".
Maravilhoso esse texto da Martha Medeiros... Escrito por L.C.
às 20h57 |
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Ela estava ali... revendo velhos amigos... pessoas que foram importantes em sua vida... e que acabou por perder o contato ao longo dos anos... muitos papos atrasados para por em dia... estava ali para divertir-se... para deixar para trás os problemas que nos últimos tempos a angustiavam... queria apenas desencanar um pouco... tomar umas caipiroskas... e deixar a vida levá-la... para qualquer lugar... desde que pudesse dar boas risadas... Estava disposta... num astral pra lá de alto... de certa forma não pretendia conhecer ninguém... longe do seu mundinho sabia que não queria e nem precisava ter encontros inesperados... mas, de repente... entre um copo e outro... surgiram as trocas de olhares e sorrisos... habituais nestes casos... ele parecia interessante... e aquele jogo estava ficando engraçado... afinal, que mal tinha testar um pouco o seu poder de sedução... já fora boa nisso... tudo bem, eram outros tempos... mas não custava arriscar... foi depois de mais alguns olhares... quando ela se levantou para ir ao toilette... que ele aproximou-se... perguntou a ela como se chamava....ela respondeu sorrindo... quase tímida... ele logo emendou: "eu sou Fulano... e preciso te dizer que você é muito interessante... é praticamente impossível não vir falar contigo... desculpa, mas não resisti... naquela mesa você parece a mais feliz... mas o chato é que minha mulher está ali na mesa... por isso não posso falar direito agora... me dá teu telefone... eu gostaria muito de te ver novamente...te conhecer melhor...” ela riu... não dele... nem da situação... se bem que essa especialmente parecia por demais engraçada... no fundo pensou em si... era estranha essa sensação... de certa forma, ali, longe de tudo e de todos numa simples frase ele sintetizara a sua vida dos últimos tempos.... você é isso... é aquilo... é sei lá mais o que... mas no fundo sempre fica um “mas” pelo caminho... no meio do inesperado daquela situação... ela ainda teve tempo para perguntar... "porque é que você veio então falar comigo? isso não foi legal... nem comigo e muito menos com ela... e você está sendo desagradável"...e a resposta que ouviu foi ainda mais desconcertante..."porque eu tinha que te dizer isso antes de ir embora..."
Escrito por L.C.
às 02h28 |
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Algumas perguntas que me perturbam de vez em quando... ficam lá, martelando meus pensamentos... sem que eu chegue a nenhuma conclusão... ontem, falando com uma amiga querida, apareceu mais uma dessas questões... será que existem as namoradas perfeitas e as "outras"?... As tais "outras" são, via de regra, mulheres divertidas... extrovertidas... inteligentes... interessantes... despidas de preconceitos... daquelas que entram numa sala e, rapidamente, todos os olhares convergem para elas... aquelas que sempre, não importa onde ou quando, chamam a atenção... e não porque sejam, necessariamente, bonitas... mas porque no conjunto são interessantes... destacam-se... tem brilho próprio... sabem direcionar uma boa conversa... tem opiniões fortes... costumam ter histórias excitantes para contar... apresentam um mundo desafiadoramente novo... despudoradamente louco... e acho que são dessas que eles mais gostam mesmo... Mas no fim... bem depois...elas acabam sempre sozinhas... e eles terminam a noite, invariavelmente, nos braços da antítese de tudo isto.... São elas que os afugentam? Ou, no fundo, eles gostam mesmo é das mais frágeis? *** pensa nisso minha amiga!!!! Esse post é todo seu!!! Escrito por L.C.
às 12h23 |
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O homem ideal me faz rir, mas nunca usa o riso contra mim. Tem a rara habilidade de saber ouvir e só diz o que é necessário, bom ou a dura e intransponível realidade. Compreende a diferença entre estar presente e fazer companhia.Não é prolixo, nem tenta impressionar. Não precisa entender de vinho, charutos ou golfe; precisa ser autêntico e admitir que não entende de vinho, charutos nem de golfe.Ele não exige a todo instante meu lado risonho porque sabe, como sabe de tantas outras coisas não ditas em sentenças ou discursos, que os dias negros também fazem parte de mim. Nota as sutis alterações de humor pelo tom da minha voz e, antes de prejulgar as razões, se predispõe a fazer cafuné ou, sensato, cala-se ao meu lado olhando para a TV. E não exige explicações porque possui uma calma sabedoria que me impele em sua direção: dividir minhas angústias e anseios com este homem é tão acolhedor quanto deitar na grama sob o sol de outono.O homem ideal me dá bronca quando abuso da minha independência ou como chocolate demais e depois reclamo do peso. Ele compra sorvete light e evita discussões posteriores. Compreende que preciso da sensação indescritivelmente libertadora de sumir por algumas horas e, mesmo não concordando com ela, não me interroga como um oficial do DOI-Codi quando piso em casa, levemente para não o acordar, às 2 da manhã. O homem ideal canta. Não precisa ser afinado, mas sussurra (seja ao telefone ou ao vivo) canções que, num dia qualquer, mencionei gostar. Pode saber dançar. E, se não souber, que mantenha a dignidade e fique sentadinho me observando. Também bebe. É daqueles que ficam charmosos de matar com um copo de uísque nas mãos. Fica deliciosamente sacana três doses acima do normal. Enterra os bons modos e fecha abruptamente a porta do quarto, sem tempo para que eu responda à pergunta nem sequer formulada. Adormece aconchegado a mim, mas não suporta ficar agarrado durante toda a noite. E também curte cozinhar. Diverte-se tanto num supermercado, como diante de uma prateleira de CDs.Não me expulsa da cozinha mesmo que eu esteja atrapalhando, mas me deixa ajudá-lo a preparar um rango legal. O homem ideal está sempre disposto a me ouvir, mesmo que seja nos minutos desagendados à força durante o dia cheio, e não usa trabalho nem cansaço como desculpa para suas eventuais faltas; as assume e, até, se desculpa.Não se esquiva de discutir os problemas que não se solucionam com notas de 100.Não considera fraqueza dizer que me ama. Pede ajuda quando sente que o peso colocado sobre seus ombros extrapolou sua força.É sensível. E chora. Não faz promessas porque sabe que nem sempre é possível cumpri-las.Vive regido por sua consciência e, impulsivo, assassina a etiqueta e comete atos passionais.Então faz besteiras, erra, engana-se. E nem por isso deixa de ser maravilhoso. Ele apenas segue sendo magnífica e tropegamente humano. O homem ideal é imperfeito, numa imperfeição que combina exatamente com a minha. Escrito por L.C.
às 11h06 |
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São dois amigos... ela e ele... uma dupla perfeita... sintonia total... eles se entendem perfeitamente... a até hoje nunca tiveram uma discussão séria... saem juntos freqüentemente... happy hour... jantar... uma ou outra noite... uma ou outra tarde... cuidam um do outro... sentem-se bem juntos... conversam muito... invadem as madrugadas insones quando estão juntos... tudo os faz sorrir.... e muita coisa os emociona... sabem de praticamente todos os “casos” que o outro teve até se conhecerem... e brincam com isso... obviamente, com tanta sinastria a favor, acabaram por se envolver... e descobriram que convivem bem com isso... tão bem que repetiram... e certamente isso acontecerá mais algumas incontáveis vezes... e falam abertamente sobre o assunto... eles não tem certeza de nada... mas alguém terá?... não perdem tempo se questionando... e apenas continuam porque é bom... porque faz bem a ambos... não fazem cobranças... talvez seja justamente esse o lado bom de “não namorar”… mas sabem que o outro está sempre lá... e, mais importante, está mesmo… sempre estará.... É pouco provável que alguém perceba que “ela só tem olhos para ele” ou que talvez um dia “ele só terá olhos para ela”... mas ninguém nunca questionará... certamente, eles não dariam este espaço... apenas sorriem cúmplices... porque não permitem que ninguém lhes cobre nada... sabem que estão juntos apenas e tão somente quando querem estar.... e não porque quarta é “dia de namoro”... e não rola um stress quando ele vai viajar com o amigo... não existem proibições... nem esquemas paralelos... não é raro estarem cada um do seu lado... mas aí, num sábado... ou numa noite perdida de segunda-feira... caem nos braços um do outro... ou não... porque só fazem o que dá vontade... e na hora que dá vontade... e não porque namoram... mas porque é isso que querem... e até podem apenas ficar juntos como apenas dois bons amigos que o são... sem trocarem sequer um beijo.... e ainda assim, será delicioso... Talvez aconteça um dia de a coisa desandar... um deles conhece outro alguém e pula fora fora… provavelmente o outro vai chorar... talvez se sentirá traído... e magoado.... pode acontecer... não existem histórias perfeitas.... nunca existirão... finais felizes são sempre relativos... será que o final teria sido diferente se tivessem rotulado a relação? se tivessem convencionado que namoravam? acho que não... nada mudaria esse roteiro...
Nunca acreditei que o importante fossem os nomes dados às coisas... mas os sentimentos que fazem com que duas pessoas se envolvam... e a predisposição com que cada um encara a relação... não existem táticas infalíveis... planos perfeitos... nem sequer jogos perfeitos… principalmente no “jogo do amor”… até porque esse jogo tem apenas uma regra: a verdade…
Escrito por L.C.
às 15h57 |