Mulher, mais de 40, mãe de dois adolescentes, em constante conflito e mutação... uma fazedora de sonhos... uma colecionadora de memórias... Frase que me define hoje: "Justamente quando a lagarta pensou que tudo houvesse terminado... ela virou uma borboleta"


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Medos

De algumas coisas eu confesso ter medo... mas, da verdade eu nunca tive.... medo mesmo eu tenho é de perder as pessoas que me são importantes... às vezes, tenho medo de me expor demais... mas também não faço nada para me reservar... tenho medo da morte... medo de ficar sozinha em casa quando está muito escuro ou tarde da noite... medo de barulhos que não consigo identificar... de barata... de rato... de filme de terror... de gente invejosa... de energia negativa...

 

Mas ninguém nunca poderá dizer que eu tenho medo de viver... porque esse medo eu não tenho mesmo!.. nesse caso eu viro fera e encaro os meus medos cara a cara...  talvez por isso eu tenha muita dificuldade para entender aqueles que se fecham com medo de se magoar... aqueles que evitam os combates com medo do amanhã... eu, muitas vezes, tenho medo do ridículo... ou de parecer piegas... medo de ser rejeitada... de não ser amada... mas isso não me impede de viver...  nem mesmo me fornece “armaduras” para me proteger... o negócio é olhar nos olhos e encarar... deixar rolar... enfrentar até o limite da exaustão... sem medo do frio na barriga...

 

O que eu acho mais engraçado... para não dizer estranho... é que quanto mais as pessoas dizem que estão sempre prontas para se apaixonar... mais se “protegem”... e que mais controlam as emoções... eu não sei ser assim... eu tenho medo... mas não fujo…E não fujo porque viver é um dia de cada vez... um momento após o outro... mesmo que isso pareça apenas uma frase feita...

E, além de sentir medo, eu também me questiono... o tempo todo... e questiono tudo... o telefone que toca quando não deveria... o  telefone que não toca justamente quando mais estou ansiosa...  os convites que me fazem.... e os que nem aparecem...  as palavras ditas... o beijo dado... sobretudo o que nunca foi dado... ou que jamais será.... as coincidências... os encontros...os reencontros... os grandes desencontros...  e sigo questionando tudo... e, acabo por perceber que é aí que posso abrir um abismo imenso para a angústia instalar-se... algo que verdadeiramente me impeça de viver... mas o fato é que é justamente em meio a esse turbilhão de questões que encontro todas as  respostas e teorias que regem a minha vida...

 

E assim... sigo eliminando ou convivendo pacificamente com alguns dos meus medos...

 



Escrito por L.C. às 13h00
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Brasil 4 X 1 Japão

Copa do mundo.... e lá vamos nós vestir verde e amarelo... é sempre uma boa desculpa para juntar os amigos... vira uma grande festa fora de hora... o trabalho acaba mais cedo... tá certo que a hora do rush também fica antecipada, mas aí, em compensação, tem-se mais tempo para relaxar...

 

O primeiro jogo eu vi sozinha... não estava no clima... na verdade acho que nem assisti direito... baixei o som do Galvão e ouvi o velho e bom Elton John... o segundo jogo me pegou no fim de uma gripe horrível... ainda com o corpo dolorido e totalmente indisposta... mesmo assim encarei a indefectível feijoada na casa dos amigos...

 

Mas o terceiro... ah! Esse Brasil X Japão foi delicioso!...começando pelo programa inédito para mim... assistir ao jogo num boteco... nunca havia feito isso... jogo da seleção sempre teve aquela conotação de confraternização em casa... cerveja... comidinhas... e muito papo furado... mas no bar foi fascinante! Numa mesa de mais de dez pessoas... coincidentemente todas descasadas...(rs) o reencontro delicioso com velhos e bons amigos... com a amiga maluca de todas as horas... aquela com quem não se fala todo dia... mas por quem tenho um amor incondicional... muitas risadas... e ainda encontramos tempo para colocar uma boa parte dos papos em dia...

 

O jogo foi emocionante... e olha que eu nem sei direito o que é o tal “quadrado mágico” ... vai ver que eram os quatro gols que colocamos na rede japonesa... (rs)... o clima era de festa total... pessoas de todos os tipos... das mais normais às absolutamente incomuns... foi divertido... gritei... xinguei... comemorei... até sambei... (rs)... porque no bar tinha um grupo de pagode... e agente acabou entrando no clima...

 

Saldo da tarde... voz rouca... e duas grandes alegrias: a primeira, ver o Zico, impecável, ir cumprimentar os jogadores brasileiros no vestiário, antes do jogo começar... palmas pra ele!...e a segunda... bem, antes de brasileira, sou sãopaulina... Rogério Ceni na seleção foi demais!!!!

 

Vamos que vamos... terça-feira tem mais!



Escrito por L.C. às 19h33
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Amizade em Technicolor

 

Conheceram-se quase por acaso... navegando por mares loucos... cada um levando suas vidas... e esse encontro foi tão intenso que, certamente, faria inveja a muitos casais "oficialmente" constituídos... de certa forma, nem eles próprios,entendiam o que os unia... e o que os unia era o gosto pela vida... era aquela vontade louca que tinham de conversar... de partilharem um whisky ou uma caipiroska... de ouvirem uma boa música.... de se falarem constantemente... e de saírem sempre um com o outro... não porque fossem ficar aos beijos... ou porque, talvez, acabassem na cama um do outro... mas porque entre todas as pessoas com quem podiam estar, era com aquela que mais se divertiam... e era com aquela que havia as maiores cumplicidades... e ele era a pessoa que mais a fazia sorrir... e ela era a pessoa que mais o fazia sorrir... acho até que isso os tornava parecidos...

Parecia até que tínham um caso... mesmo que isso não fosse um fato... no fundo parecia uma grande sacanagem do destino...  mas não valia a pena questionarem o que tinham... nem falar sobre o futuro... parecia que ambos estavam bem com o que tinham... e o que tinham era bem mais forte do que muita gente por aí imagina que seja felicidade... quando queriam... ou quando pintava... ou apenas quando era prá ser, acabavam a noite juntos... dormiam juntos, aninhados... de manhã acordavam cheios de carinho...  aquele momento era deles... era como se não houvesse amanhã… e, de fato, não havia... ao menos nos rótulos que estabeleciam as "relações de fato"... não eram apenas, amigos porque havia cama... não eram namorados, porque não havia amanhã... não tinham um caso, porque nos casos não existem sentimentos…mas eram felizes... 
 
E quem é que queria mais que isso?...


Escrito por L.C. às 08h42
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Tempo Preguiçoso....

Quem sabe... se falássemos a mesma língua... talvez eu conseguisse traduzir em palavras aquilo que ainda não pude fazer você entender... mesmo me utilizando desse  dialeto universal com que tantas vezes procuro me comunicar sem realmente me fazer compreender... o corpo nem sempre diz tanto quanto queremos acreditar... no fundo, na hora do preto-no-branco, ele significa mesmo quase nada...

Corpos são apenas máquinas sem controle... e mesmo quando se entendem bem... não mudam muito o roteiro... e falam somente de química, física e biologia... quando a única vontade era apenas ter falado mais de poesia... aquela que me inunda, sufoca e alimenta.... queria dividir, mesmo que por uma fração do tempo, a graça de sentir-me enamorada apenas...  assim sem compromisso... sem medo... e, fundamentalmente, sem culpa... apenas pelo divertimento inocente de amar o momento... e no momento...

No fundo... acabo por admitir que eu queria apenas a afinidade do seu olhar dentro do meu...  ou sua mão macia me carinhando os cabelos.... ouvir sua voz baixa... sua fala tranqüila... e suas tantas histórias dessas coisas que eu não sei... queria sentir a dúvida de quanto da sua presença ou ausência que fazia o tempo passar mais ansioso... porém mais alegre.... e agora esse tempo preguiçoso de bronca comigo ou com os ponteiros de segundo... insistindo em não passar...

O combinado era deixar o coração fora disso... uma combinação feita comigo mesma... mas é tão difícil deixar o sentimento à parte quando ele é o gerador de tanta felicidade... e aí você me vem com atenções e cuidados... e aí a imaginação cria loucas asas... quem sabe um dia desses pudéssemos ver um pôr de sol em algum lugar onde o sol se pusesse naquelas lindas cores... onde eu te ouviria falar da sua vida... e te contaria mais um pouco da minha... e em momento algum nós nos preocuparíamos em estarmos juntos...  nem em estarmos sós... nem se existe lá longe ou logo ali uma vida de verdade que devemos encarar... nada disso seria importante....


E eu aqui falando com as paredes...

Quem sabe... se falássemos a mesma língua...


Mas a língua que eu falo, só eu compreendo...



Escrito por L.C. às 12h22
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Saudades

Eu sei que mesmo as coisas que fazem falta estão presentes...

Sei que está aqui comigo porque o que acontece entre nós é uma música que embala a minha vida...

Eu ajeito a casa para morar com essa sua presença... arrumo a cama do jeito que imagino que você gosta, prendendo bem o lençol nos pés... e cozinho o que acho que gostaria de jantar comigo... e quando dou risada, sei que gostaria de me ouvir gargalhando... e, assim, você também é co-responsável pela minha risada feliz...  um pouquinho mais alta do que costumava ser... um pouquinho mais solta do que costumava ser... certamente muito mais colorida... e todas as músicas que gosto e ouço passam a ser nossas de alguma forma, por alguma frase, ou por nada que faça um sentido exato, que não sejam as boas lembranças dos bons momentos juntos... meus gestos passam a ser reféns do teu olhar e, mesmo de longe, eu sei que teus olhos estão em mim... e então faço caras e bocas... poses engraçadas... mudo o tom de voz e digo frases queridas porque isso, de certa forma, é poder te abraçar em aconchego... com braços muito mais longos que o oceano... meus passos são acompanhados pelos teus... numa sombra transparente de caminhos que se fazem iguais e diferentes...mas sempre na mesma direção... ainda que em terras distantes... e eu sinto nossas mãos dadas... e sinto que nunca mais estarei sozinha...

Está vendo? Você está aqui tão perto e minha saudade é tanta que dá para nós dois...

 



Escrito por L.C. às 19h18
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Festas

Então veio a chuva...  emprestando cheiros e tons que transformam a paisagem em pintura impressionista...

Vem com ela o gosto que amarga a boca e trava as pernas... aquele que reconhece o gosto e encontra as barreiras, os impedimentos e os "déjà-vus"... que esparrama todos os conceitos pelo chão... que esmigalha todas as crenças......

E eu, na volta pra casa, depois de algumas doses... em meio a toda aquela chuva... naquele mesmo caminho...  aquele pelo qual eu passo sempre que volto daquele bar...ali eu vi tanta coisa nova..e outras tantas que já existem lá há muito tempo... talvez até antes de eu mesma existir....

Chamou-me atenção uma fachada de pedra...num casarão de dois andares... parecia vazio... abandonado... na frente um luminoso vermelho onde se lê "Festas" e algo mais que não consigo ver... outrora deveria ficar piscando... engraçado um lugar que mostra sua função... mas não mostra o próprio nome... me perdi pensando nisso... imaginando as festas que talvez aconteceram por lá... as paixões que nasceram... as relações que sucumbiram... as histórias clandestinas que suas paredes conheceram...

Nesse instante percebo uma lágrima e me turvar a visão...e penso... esse lugar parece comigo... devo ser mulher-lugar que por fora é de pedra... mas tenho festas inteiras periodicamente acontecendo dentro de mim...

E pensar que eu estou com meu néon vermelho... querendo acender...



Escrito por L.C. às 15h49
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