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Sábado a noite sozinha... alternando momentos tranqüilos com outros nem tanto... resolvo navegar um pouco na net, em busca de um pouco de distração... já que a programação da TV anda a cada dia mais lamentável e esqueci de alugar algum filme interessante... caio, nem sei como, no Blog do Léo Jaime... um dos meus ídolos lá nos idos dos anos 80... encontro esse texto... foi uma identificação imediata... Oito da noite numa avenida movimentada. O casal já estava atrasado para jantar na casa de alguns amigos. O endereço é novo, assim como o caminho que ela conferiu no mapa antes de sair. Ele dirige o carro. Ela o orienta e pede para que vire na próxima rua à esquerda. Ele tem certeza de que é à direita. Discutem. Percebendo que, além de atrasados, poderão ficar mal humorados, ela deixa que ele decida. Ele vira à direita, e percebe que estava errado. Ainda com dificuldade, ele admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno. Ela sorri e diz que não há problema algum em chegar alguns minutos mais tarde. Mas ele ainda quer saber: “Se você tinha tanta certeza de que eu estava tomando o caminho errado, deveria insistir um pouco mais”. E ela diz: “Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz. Estávamos à beira de uma briga, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite”.
Eu não tenho dúvida... também prefiro ser feliz! *** o endereço do Blog do Leo Jaime é http://leojaime.blog.uol.com.br/ Escrito por L.C.
às 22h16 |
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Todos temos defeitos e qualidades... características próprias que fazem com que cada um seja único... especialmente único... Mas, defeitos e qualidades são conceitos absolutamente subjetivos... o feio, para alguns, pode ser belíssimo para outro... a mesma pessoa pode ser engraçadíssima ou totalmente sem graça, dependendo dos olhos de quem vê... o importante é estarmos cientes das nossas imperfeições... dos nossos pequenos ou grandes defeitos... até porque é comum nos depararmos com o nosso “lado B”... aquele que nem é tão bacana assim... como se fosse uma sombra que vive sempre perto de nós... aquela parte que tentamos esconder até de nós mesmos... Eu tenho um monte desses fantasmas particulares... sou um poço de contradições... vivo em constante duelo entre a razão e a emoção... e mesmo me considerando 100% emoção... a razão, muitas vezes, vence o combate...eu calo quando deveria falar... falo quando deveria ficar quieta... tomo muitas atitudes por impulso, por paixão... e, em algumas vezes, me arrependo do que fiz... ou do que deixei de fazer... A minha segurança... o meu jeito descolado só serve “da porta para fora”... para quem não me conhece a fundo... mas, ao contrário disso... sou sensível demais... frágil demais... e nem sempre tão compreensiva quanto tento parecer... além disso tenho, como velha companheira, uma “síndrome de rejeição” que é foda!... como se eu acreditasse que não seria legal ser apenas como sou... sempre justifico a falha de alguém como se fosse por minha culpa... e o pior, acredito isso como se fosse uma verdade absoluta... todo mundo é infalível...menos eu... no fim das contas... rolam rios de lágrimas no meu travesseiro... Mas o legal é quando conseguimos admitir nossa falhas... nossas fragilidades... nosso lado oculto... quando conseguimos aprender a conviver com as nossas sombras... até porque só assim podemos trata-las e nos tornarmos pessoas melhores... aí, para mudar o que não nos agrada, fica muito mais fácil!
Escrito por L.C.
às 20h13 |
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Fui uma mimada... ou, como dizem por aí... “un enfant gâté”... primeira filha, primeira neta, primeira sobrinha... primeira tudo... puta responsabilidade! ... obviamente fui sempre muito cobrada... eu era bonita, educada, a família tinha posses... Cresci na fantasia de que eu seria uma grande artista plástica... aos 6 anos já sabia até onde queria estudar... nunca tive qualquer outro objetivo... era fútil... tinha o nariz empinado... e acreditava piamente que a vida era apenas aquilo... um bom padrão de vida... carro com motorista à disposição... restaurantes caros, badalados... roupas de griffe... (putz! Calça Soft Machine era o auge!)... Pois bem... passo no vestibular numa das primeiras colocações... na faculdade que eu queria... ganhei meu primeiro carro... arranjei um namorado de “boa família”... e tudo caminhava estritamente dentro dos padrões pré-determinados... Até que um dia resolvi virar a mesa... fui à luta... arranjei um emprego no centro da cidade... e, pela primeira vez na vida, fui obrigada a presenciar uma realidade muito diferente da minha... resultado? Aprendi prá cacete!... descobri que eu nem era tão fútil assim... tão mimada assim... ao contrário... apesar de ser vista por alguns como a “mocinha rica”, comecei a conquistar as pessoas que se permitiam aproximar-se de mim... foi uma época muito rica.... e talvéz a minha primeira grande virada! Após alguns anos... uma certa liberdade conquistada... o casamento esperado... a separação inesperada... uma nova união... filhos... e fui me dando conta que eu começava a querer tomar as rédeas da minha própria vida... por incrível que pareça esse último processo levou muitos anos... Num determinado momento... eu, já no auge do sufoco... com constantes crises de depressão... me sentindo amarrada a uma vida que não tinha mais nada a ver comigo... resolvo, mais uma vez, virar a mesa!... não foi tão simples assim... com duas crianças... ganhando um salário ridículo... já sem qualquer sombra do conforto material que tive na juventude... encarei mais esse desafio... Hoje passo grandes apertos financeiros... carro é um sonho distante... trabalho em algo que não me dá compensação financeira e nem pessoal... mas vivo tranqüila e serena... dei adeus aos antidepressivos... dei adeus ao stress... meus olhos voltaram a ter o velho brilho... o sorriso não abandona meus lábios... e o principal... voltei a fazer planos! Que venha a próxima virada!
Escrito por L.C.
às 13h22 |
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“Um dia ela ficou diferente... já não estava estressada... já não chorava à toa... no início era difícil entender que essa alegria era só porque ela tinha, finalmente, terminado aquele casamento com o nosso pai... mas isso também já fazia um tempo... o fato foi que, de repente, ela voltou a sorrir! E como era legal vê-la assim feliz! Aos poucos a Mammi’s foi voltando a ouvir música... eu já não me lembrava da última vez que eu tinha visto isso... ela lia livros e livros... mais uma das coisas que ela já havia abandonado entre um problema e outro... ou no meio de uma crise de deprê... mas nada disso mais importava... ela estava feliz... sorrindo muito... e tinha até conseguido emagrecer... Descobrimos um amigo secreto... era alguém com quem ela conversava no messenger... e que quando falava ao telefone deixava ela com aquela cara de boba... um sorriso escancarado... e os olhos querendo saltar do rosto... definitivamente o mistério estava resolvido... Mammi’s tinha um amigo especial... Levou um tempo até que conhecemos o “figura”... demorou bastante para o nosso gosto... mas é como ela sempre diz... “step by step” e cada coisa na sua hora... e a hora havia chegado... estávamos todos apreensivos... era uma situação completamente nova... e nem por isso menos fascinante... iríamos finalmente descobrir porque a Mammi’s ria tanto... Fomos a um restaurante bacana... e olha que o tal “amigo” era muito melhor do que esperávamos... um homem inteligente... liberal... que sabia falar um pouco de tudo... era divertido... e, melhor, não se intimidou nem um pouco com aqueles dois pirralhos sentados à sua frente... foi incrível!!! Voltamos para casa com a Mammi’s feliz prá caramba! ... no fundo sabíamos que essa noite tinha sido muito importante prá ela... e que bom que foi tudo perfeito! Se estão namorando? Bom, ela diz que não... mas eu posso jurar que vi ela fazendo carinho na perna dele... discretamente....” Acho que se eles tivessem escrito... seria quase isso.... Escrito por L.C.
às 16h27 |
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Na sexta-feira eu já previa um final de semana sem graça... todas as evidências apontavam para a total falta de programas... também pudera... sem carro... sem grana... com os dois filhos em casa... perspectiva zero! Sábado à noite... o filho foi dormir na casa de um amigo... a filha trancada no seu quarto com o som no último volume... e eu? ... sozinha!... foi inevitável que batesse uma deprezinha básica... por mais que eu não goste de pensar... o passado veio à tona... as burradas que me levaram a essa falta de grana... se ao menos eu tivesse um carro... talvez aceitasse o convite para ir à casa dele assistir “um filme ótimo que começa às 10”... Pouco a pouco a revolta foi baixando... à medida que íamos conversando fui me animando... as duas ou três lágrimas, que queriam cair, secaram instantaneamente... de repente o convite.... que tal sair amanhã para um passeio a pé?... e a idéia de um passeio pela Liberdade pareceu sedutora... falamos amanhã... e quem se lembrava de baixo-astral? Acordei cheia de energia... vesti uma roupa desencanada... afinal a ocasião não exigia grandes produções... vesti meu All Star amarelo velho de guerra... e fui encarar o metrô até a Liberdade... foi fácil nos encontramos mesmo em meio àquela Babel... atravessamos a multidão (parecia que São Paulo toda tinha tido a mesma idéia) ... finalmente encostamos num balcão onde um velho oriental assava uns bolinhos... era um ritual quase irritante... mas, já estávamos lá... “uma porção de bolinhos e um yakissoba”... Sentados nos degraus de uma loja fechada... com aquele horrendo prato descartável no colo... estávamos incrivelmente felizes... era absurdo o contraste com os restaurantes caros, finos e descolados que estávamos habituados a freqüentar... e nem por isso estávamos curtindo menos... dei-me conta de que a felicidade é a soma dos pequenos bons momentos... e, definitivamente, aquele era um...
Foi uma tarde maravilhosa... e, de certa forma, tudo colaborou... o sol... o lugar “exótico”... a companhia sempre deliciosa... e pronto... sem analogias com as personagens... foi impossível não lembrar da famosa cena do spaguetti... Escrito por L.C.
às 23h53 |