Mulher, mais de 40, mãe de dois adolescentes, em constante conflito e mutação... uma fazedora de sonhos... uma colecionadora de memórias... Frase que me define hoje: "Justamente quando a lagarta pensou que tudo houvesse terminado... ela virou uma borboleta"


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voltando a acordar feliz

Há exatamente uma semana ela acordava absolutamente feliz...   com direito a day off,   a caminhada...   aquela sensação  gostosa que  se apoderava  dela assim,  sem pedir licença... apenas invadindo o coração e trazendo à tona toda a tranqüilidade que há muito não experimentava...

 

Mas nem tudo são cores, e o final de semana veio com muita dor... naquele dia mágico ela não poderia imaginar que a vida lhe tiraria alguém assim tão especial... durante alguns dias ela vivenciou a dor, a perda, a saudade... chorou muitas lágrimas...

 

Passou-se uma semana... e o ciclo se completou... encerrou-se... se a dor não acabou, deixou a certeza de que será para sempre transformada em saudade...

 

E hoje ela voltou a acordar feliz... voltou a acordar com música....  voltou a sentir-se segura... e, mais que isso lembrou-se de como é bom viver assim... calma, serena, tranqüila...

 

Encheu-se de coragem e foi à luta... escolheu a dedo uma roupa bacana... nada formal, mas com os quilos que ela havia perdido nos últimos tempos não foi complicado se gostar... colar, brincos... o indefectível delineador a ressaltar os olhos verdes... olhou-se no espelho e sentiu-se poderosa novamente...  percebeu que podia quase tudo... até porque não queria tudo... ela sempre gostou de uma boa batalha... nunca curtiu o que vinha fácil...

 

Uma vez na rua deu-se conta que até o sol, desaparecido desde o início do outono, brilhava forte e intensamente... o dia prometia uma sucessão de sensações radiosas... teve vontade de sorrir... e foi o que fez... escancarou sua felicidade a caminho do trabalho...

 

Por instantes pensou... estou feliz por mim ou estou feliz porque ele me faz feliz?... remoeu a pergunta por intermináveis minutos... por fim concluiu... estou feliz, e pronto! E isso por si só já é o suficiente...

 

“Por ser exato, o amor não cabe em si... Por ser encantado, o amor revela-se... Por ser amor, invade... e fim...”



Escrito por L.C. às 13h21
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Over the Rainbow

 

 

O final de semana passado foi atípico... não bastassem minhas dores pessoais... vejo minha cidade tomada por uma onda de violência sem paralelos em nossa história recente...

 

Minha mãe mora no exterior e não são poucas as vezes que me sugerem que eu vá morar com ela... sempre repudiei veementemente essa idéia... sempre achei um absurdo sair do meu país... da minha cidade... afinal sempre fui uma paulistana apaixonada pela loucura dessa cidade... mas começo a pensar seriamente na possibilidade de sair de São Paulo... não sei se para Miami... ou para a Itália (tenho cidadania e não seria tão complicado)... ou se por aqui mesmo... em algum lugar calmo e tranquilo... tenho vontade de ir embora para Passárgada... ou para Além do Horizonte (... deve ter algum lugar bonito prá viver em paz...) ... ou ainda para Over the Rainbow...  quero ir para qualquer lugar onde eu encontre a paz... onde eu possa criar meus filhos com o mínimo de segurança e dignidade... onde eu possa fazer amizade com o vizinho da porta em frente ou ao lado, sem que ele ou eu nos sintamos ameaçados...

 

Estou cansada da violência... mas estou mais cansada da ignorância que tem gerado essa crise toda!



Escrito por L.C. às 08h14
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Caixa de Lembranças

 

Sou uma colecionadora de lembranças afetivas... bilhetes, fotos antigas, pedaços de papel rabiscados... até uma rolha de champagne (acho que da festa de 15 anos... ou do noivado?... nem lembro...)... guardo uma caixa com sorrisos, poses engraçadas ou forçadas, palavras doces, cartões de aniversários passados, fotos de família... de pessoas que fazem parte do presente, pessoas que me fazem sorrir, algumas que já me fizeram chorar... algumas que já não estão mais por aqui e outras que não verei mais...  retratos de momentos únicos e especiais...


Tenho, algumas vezes, ímpeto de jogar tudo fora... livrar-me dos papéis velhos... contas antigas (para que guardei isso?)... cardápios dos mais variados deliveries… Sinto que é preciso que eu abra a porta para mudar de ares... abra a janela para o sol entrar e tirar o cheiro de mofo da memória... arejar meus porões... podar as folhas velhas das plantas para que continuem crescendo e enfeitando meu jardim...


Não sou fanática, mas tenho minhas superstições... entre elas, a de não rasgar ou jogar fotografias fora... mas hoje senti essa vontade... com certeza, rasgaria várias... aquelas que não me dizem mais nada... sem foco, mal batidas, de pessoas que não farão mais parte de minha vida... por quaisquer que sejam as razões... quero colecionar fotos novas... de pessoas novas....dos momentos novos... quero um novo mural de fotos bonitas... com uma especial no meio delas...

 

Às vezes, tenho a impressão que me acostumei tanto ao passado... com a idéia de que ele faz parte do que sou... que não me dei conta do que é realmente parte de mim... memórias...

 

Não renegar o passado não significa carregá-lo nas costas o tempo todo... somos o que vivemos, mas não vivemos a mesma coisa duas vezes...

 

Agora é olhar para frente e caminhar... há um futuro belíssimo apenas me esperando... e é ao encontro dele que vou...

 



Escrito por L.C. às 10h23
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Dia das Mães

As lembranças do dia das mães na minha infância ainda permanecem frescas em minha memória... com uma ou outra alteração, o roteiro era sempre o mesmo... o presente feito na escola... quase sempre uma bobagem qualquer que provavelmente não tinha serventia alguma... dois ou três dias antes, meu pai nos levava comprar o presente que ela escolhia... na manhã do domingo acordávamos mais cedo, minhas 3 irmãs e eu, preparávamos, o que na nossa concepção, era “aquele” café da manhã... na seqüência, munidas de todos os pacotes, invariavelmente, invadíamos o quarto da minha mãe aos gritos... e a festa começava... ato contínuo, saíamos para almoçar em algum restaurante com filas quilométricas... depois era a vez do “rodízio” na casa das minhas avós... íamos na mãe da minha mãe... e terminávamos o dia tomando um chá com bolo de chocolate e nozes na mãe do meu pai... isso quando ainda não emendava-se um jantar...

 

Até que chegou a minha vez... há exatos 14 anos... acordei no segundo domingo de maio com uma linda gatinha mal segurando um presente nas mãos... naquele ano o dia das mães foi totalmente inédito... se era meu primeiro ano como mãe... como filha ele ficou falho... alguns meses antes minha mãe havia se mudado para o exterior... não houve café da manhã com bolo em formato de coração, nem restaurantes com filas... mas nem por isso deixou de ser feliz e curtido... três anos depois... fui acordada por dois pares de olhinhos segurando pacotes... bandeja de café... ganhei o tal presente da escola... o presente comprado com o pai... almoçamos em família... mantinham-se os rituais... e assim foi durante os últimos anos...

 

Esse ano tudo foi diferente... minha mãe continua fora... não tem mais rodízio de avó... nem casa de sogra... e meus filhos já decidem sozinhos o meu presente... sem nem ao menos perceberem o quanto eles mesmos foram o meu presente mais especial... mas essa não foi a pior das mudanças... meu dia das mães acabou sendo um dia triste... minha tia querida finalmente descansou... no sábado pela manhã... neste dias das mães não houve comemoração alguma... apenas muita tristeza... e uma profunda dor...

 



Escrito por L.C. às 20h04
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