Mulher, mais de 40, mãe de dois adolescentes, em constante conflito e mutação... uma fazedora de sonhos... uma colecionadora de memórias... Frase que me define hoje: "Justamente quando a lagarta pensou que tudo houvesse terminado... ela virou uma borboleta"


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Um Amor Inesquecível

Era madrugada do dia 16 de novembro de 1985... apuração das eleições municipais... Jânio vencia FHC... e eu, naquele momento, resolvi dar um tempo do trabalho (free-lance na Folha de São Paulo) e ir comer algo num boteco, ali mesmo, na Rua Barão de Limeira...

 

Foi então que a magia se estabeleceu... no exato instante em que fomos apresentados... numa fração de segundos o mundo desapareceu... ou paralisou... nada mais importava... a não ser aquele homem com seu copo de whisky, aquele sorriso sedutor e aqueles inesquecíveis olhos pretos...

 

Amanheceu... café-da-manhã... e fui para casa... perderíamos o contato...

 

Não fosse por minha indefectível teimosia... ele não tinha como me localizar... mas eu sabia bem como encontrar um diretor de jornal... e foi o que fiz... passamos três horas ao telefone... e marcamos de sair à noite...

 

Foi apenas a primeira de algumas outras noites de sonhos... ele me encantava... senão pelo fato de ser mais velho que eu 10 anos... mais aquela inteligência brilhante... sua classe... sua joie de vivre... e aquele jeito romântico que a cada dia me seduzia mais...

 

Com ele descobri que a menina que eu era tinha crescido... pela primeira vez alguém me viu como mulher... com ele aprendi a gostar de jazz... a tomar whisky... a freqüentar o Pirandello... com ele aprendi que dor de amor dói demais... independente do tempo que se vive esse amor...

 

Um dia marcamos de passar o final de semana na praia... eu fiquei esperando... ele não apareceu...

 

Nunca mais nos vimos...

 

Talvez seja um amor desses que nem se concretizou... foi só um amor relâmpago... um amor que não começou bem...que nunca terminou direito... um amor que não sai da lembrança porque não era pra ser um amor real... um amor desvinculado do cotidiano... apenas um sonho...

 

Certamente por isso foi o mais difícil de esquecer... lá se vão mais de 20 anos desde então...

 

E depois dele vieram outros... e essa é apenas uma parte da minha história...

 



Escrito por L.C. às 14h21
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Presentes Especiais

Presentear é uma arte que poucas pessoas conhecem a fundo...

 

Nessa época tão cheia de datas comemorativas... dia das mães, dos pais, das crianças, natal... isso sem contar os aniversários... isso tornou-se quase um obrigação...

 

Parece fácil e quase banal entrar numa loja qualquer... assina-se um cheque, passa-se o cartão, em resumo, troca-se por grana... e pronto, assunto resolvido... e mesmo quando o presente é para alguém especial, a gente até tem uma preocupação maior... queremos agradar... encontrar "a coisa certa"... e quase sempre acertamos... ou, pelo menos, chegamos perto... mas ainda assim é costumeiramente algo tranquilo... o presenteado dá as dicas e assim é apenas ir em busca do seu objeto de desejo...

 

Meu pai, durante anos, me mandou rosas no dia do meu aniversário... uma para cada ano de vida... há alguns anos parou com esse velho hábito... acho que o número de rosas ficou grande demais... ao longo dos anos, ele me deu outros presentes, bem mais caros que as flores.. mas foram estas as que mais me marcaram...

 

Os namorados... e depois os maridos sempre foram absolutamente previsíveis... antes de abrir o pacote eu já sabia o que ia ganhar... com uma ou outra exceção...

 

 

Mas alguns presentes não estão à venda... e são esses, ao menos para mim, os mais especiais...

 

Gosto das surpresas... dos pequenos gestos... dos presentes que ficam eternizados na minha memória afetiva... pode ser uma palavra, um beijo, uma declaração qualquer rabiscada num guardanapo de papel... uma flor arrancada no meio do caminho só porque deu vontade...

 

 

Os presentes que guardo no coração... esses foram, sem sombra de dúvida os mais significantes... lembro-me de uma música dedicada numa rádio brega... de um bilhete dentro de um livro que eu estava maluca para ler... e dos cartões nos bouquets de flores... sempre amei muito mais os cartões...

 

Ultimamente tenho sido novamente surpreendida com pequenos gestos inesperados... presentes especiais... uma música dedilhada ao violão... um texto meu publicado...

 

A coleção dos presentes especiais está linda... não cabe em lugar algum... até porque, não existe caixa grande o suficiente para guardar tanta emoção!



Escrito por L.C. às 13h11
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Males da Alma

Fala-se tanto em saúde física, em malhação, boa alimentação... cuidar do corpo...

 

Mas e a alma?

 

Nunca se falou tanto nos males da alma, depressões, transtornos diversos, solidão...

 

Falo por mim... se por um lado abandonei a boa forma física por razões diversas, jamais pensei em deixar de cuidar da cabeça...

 

Já tive depressão e confesso que, se em momento algum pensei em suicídio, já me peguei pensando em como seria a vida das pessoas que me rodeiam se algum dia eu não mais estivesse com eles... eu passava tardes e noites inteiras em branco, sentada num canto do sofá da sala, fumando um cigarro atrás do outro e chorando... fundo do poço mesmo... e dá-lhe fluoxetina... praticamente um milagre!

 

Saí da depressão... algo que até nem combinava comigo... afinal, sempre fui muito cheia de vida... mas em alguns momentos, quando a gente não consegue ver ou imaginar onde está escondida a tal luz do final do túnel, fica complicado para encarar! Os problemas se sucedem.... e tive todo tipo deles... sejam financeiros, emocionais, de relacionamento, familiares... uma coleção deles...

 

Não superei todos eles... mas aprendi que nem tudo está em minhas mãos... só posso resolver o que estiver ao meu alcance... e tenho convicção de que essa é a maneira de tocar o dia-a-dia sem tornar me um fardo para as pessoas que me querem bem...

 

Até hoje faço terapia... não mais para sair do buraco... mas para tornar-me uma pessoa melhor... ou, no mínimo, mais equilibrada... com isso tenho me sentido mais forte... mais corajosa para tomar as decisões certas... algumas não dependem apenas de mim, mas outras, essas ou eu tomei ou estou a caminho de...

 

Ainda tenho um longo caminho a percorrer... preciso aprender a conviver com a solidão de certos momentos... preciso me livrar de uma certa “síndrome de rejeição” velha companheira... enfim... como qualquer pessoa normal, ando em busca de me aprimorar cada vez mais... uma viagem rumo ao infinito... já que a cabeça é um labirinto sem fim...

 

O segredo é não perder o otimismo em momento algum... acreditar que a chuva cai apenas para que o sol brilhe mais intensamente... pelo menos é assim que vou levando... sem perder o brilho no olhar e o sorriso nos lábios...

 



Escrito por L.C. às 13h54
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Uma Tia Especial

 

Tive a sorte de ter uma tia especial... uma tia que nasceu para isso... sua vocação sempre foi ser tia... ela até desempenhou outros papéis ao longo da vida... foi filha, esposa, mãe... mas foi como tia que ela chegou próxima da perfeição...

 

Por razões que não cabem aqui, ela teve dificuldades de engravidar... única irmã do meu pai, não demorou para que ela e minha mãe ficassem muito amigas, quase irmãs... quando nasci, minha mãe dividiu com ela a maternidade... posso dizer que tenho duas mães... ela fez por mim tudo que poderia fazer em termos de atenção e mimos... ainda conta, com muito orgulho, ter gasto o salário de um mês inteiro de trabalho no vestido do meu primeiro aniversário... um ano após meu nascimento, nascia minha irmã... e mais uma vez a história se repetiu... agora éramos duas filhas de duas mães...

 

Além de mim e de minha irmã, ela tem mais 6 sobrinhos, sendo 2 irmãs minhas, 1 irmão e os outros três por parte do seu marido... que ela acolheu como se fossem seus...

 

A infância com ela foi divertida... ela sempre estava pronta para uma brincadeira, nós, as meninas, acabávamos com seus inúmeros estojos de maquiagem... podíamos tudo quando estávamos com ela...

 

Crescemos e chegamos à adolescência... e foi aí que a Tia Amiga se revelou... virou a grande confidente... a guardiã dos segredos... todos os namorados, os casos, as transas... ela sempre foi a primeira a saber... com ela podíamos fumar... podíamos cabular aulas (íamos para a casa dela)... ela sempre  nos acolhia, e aos nossos amigos também... Além disso foram inúmeras as viagens para o Guarujá... seu apartamento de 1 dormitório sempre acolhia mais um... e, incrivelmente, não ficava apertado...

 

Casei, descasei, casei de novo, tive minha filha... e desta vez, repetindo a história, ela foi avó da minha filha... cercou minha filha de todo o carinho possível e imaginário... foi a verdadeira avós dos meus filhos (tive um menino depois)...

 

Enfim... uma pessoa que, apesar do gênio difícil, de uma rigidez e inflexibilidade diante de vários temas... soube, como poucos sabem, se doar... ela se deu aos sobrinhos... foi uma das grandes figuras da minha vida... uma pessoa fundamental...

 

Hoje ela está doente... talvez o resultado de algumas extravagâncias ou não, não importa... estou perdendo essa pessoa que tanto amo... e isso me tem sido especialmente penoso e dolorido... é difícil vê-la definhando numa cama de hospital sem a certeza de que amanhã será um novo dia...

 

Esse post é dedicado a essa pessoa especial... a quem devo muito da pessoa que sou... Tia Etty, obrigada por tudo! Te amo prá sempre!

 

 



Escrito por L.C. às 11h54
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Mudança de Paradigmas

Eu estava aqui pensando... só prá variar... madrugada sem sono rende...

 

É engraçada essa vida...

 

Ainda ontem (ontem mesmo!) eu era uma adolescente... família certinha... normal... com as hipocrisias pertinentes àquela época... saía, namorava, tinha meus rolos, me divertia... enfim, fazia tudo que uma adolescente normal fazia aos 17/18 anos... transava inclusive... menos em casa! Quer dizer... em casa até rolava... desde que os pais tivessem saído... ou dormindo profundamente... no fim dava-se um jeito... mas obviamente isso só rolava com o namorado... até porque dentro de casa não se trazia um "ficante" (sim, porque eles até existiam, mas certamente com alguma outra denominação)...

 

Hoje, considero seriamente a possibilidade de dar, num futuro bem próximo (até mais próximo do que eu gostaria) uma cama de casal para minha filha de 15 anos... acho que essa galera de hoje tem uma liberdade e até uma responsabilidade maior do tínhamos lá nos idos dos anos 80... Claro que não seria para que a cada noite ela me aparecesse aqui em casa com um cara diferente... não me imagino servindo café da manhã para alguém que tivesse acabado de comer minha filha, e cujo nome eu desconhecesse... tudo tem seus limites... e provavelmente esse seja o meu...

 

Chego aos 41 anos, 2 filhos, dois ex-maridos, independente financeiramente....sentindo-me "quase" dona do meu nariz... Pois é... QUASE.. e isso é uma constatação que acabo de me dar conta... e que me incomodou profundamente...

 

Aos 18 eram meus pais... e aos 41, meus filhos... ninguém merece...

 

Lutei tanto por minha liberdade... transgredi muitas vezes... peitei valores e conceitos familiares... fiz coisas que "uma moça de boa família" sequer considerasse fazer... e o resultado é esse.... numa noite vazia, em que meu sonho de consumo seria apenas poder dormir aninhada com alguém especial... tenho minha filha dormindo no quarto ao lado... Tudo bem, em casa não dá... mas dormir fora também não posso... porque aí a responsabilidade chama... o velho e bom lance do "bom exemplo"... e me pego transando escondido novamente... que merda!

 

Cadê a tal liberdade? Onde foi que pensei que em algum momento eu poderia ser dona do meu nariz... e não mais ter que dar satisfações... afinal a vida é isso aí... continuamos nos amassos no escurinho do cinema... disfarçando um chupão que um namoradinho inexperiente deixou em nosso pescoço... escondendo as cartelas de pílulas nos lugares mais improváveis... nada mudou!

 

É isso aí... os envelhescentes de hoje em dia estão mais fudidos que os adolescentes! Nossos filhos transam por aí à vontade... e nós, os pais, a não ser que tenhamos uma "relação estável"... um "namoro sério"... estamos condenados a viver na hipocrisia...

 

Vai entender..."



Escrito por L.C. às 23h59
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